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Dormir com o cabelo apanhado ou solto: o que importa

A pergunta interessa mais por outra razão: o que acontece ao cabelo durante sete ou oito horas em que você não o mexe. E aí a resposta depende de uma coisa só, a tensão.

  • 7 min de leitura

A pergunta interessa mais por outra razão: o que acontece ao cabelo durante sete ou oito horas em que você não o mexe. E aí a resposta depende de uma coisa só, a tensão. Um apanhado frouxo, feito para o cabelo não se enrolar na almofada, é razoável. Um apanhado apertado, repetido todas as noites no mesmo ponto, é outra história.

O problema não é prender o cabelo, é prendê-lo com força

A Academia Americana de Dermatologia (AAD) é clara quanto a isto: coques, caudas de cavalo e arranjos puxados com força, bem como tranças muito apertadas, podem causar alopecia de tração — queda de cabelo provocada pelo puxão constante. A palavra que importa é constante. A AAD refere que é aceitável usar o cabelo bem puxado para trás de vez em quando, mas aconselha a evitar estilos que puxem demasiadas vezes e a alternar os penteados para que o cabelo possa recuperar.

Se você dorme com o cabelo apanhado e sente o couro cabeludo a puxar quando encosta a cabeça à almofada, o corpo está a dizer-lhe algo. A AAD lista sinais que obrigam a mudar de estilo imediatamente, porque podem indicar queda de cabelo: dor por causa do puxão, ardor no couro cabeludo, crostas e aquilo a que chama tenting — zonas de couro cabeludo levantadas como uma tenda. Isto não é sinal de fragilidade nem motivo de vergonha. É um aviso mecânico.

Fica uma nuance que muita gente ignora: a mesma academia diz que não há problema em usar o cabelo bem puxado para trás de vez em quando. O que se evita é a repetição. Se você prende o cabelo com força ao deitar todas as noites, mude. Se o prende com força uma vez por semana para uma ocasião, isso não é o mesmo problema.

O que muda entre dormir com o cabelo solto e apanhado

Aqui a matemática é simples e não tem nada a ver com sono. O cabelo solto fica livre, mas arrasta-se na almofada, e o atrito pode quebrar a fibra. Um dermatologista da Cleveland Clinic explica que o atrito contra a fronha pode causar quebra e que trocar uma fronha de algodão por uma de cetim ou seda ajuda a reduzir esse desgaste. Se o cabelo for apanhado com força, troca um problema por outro pior.

Há ainda um detalhe que se aplica a quem tem cabelo encaracolado. A AAD recomenda, se puder, uma cauda de cavalo solta no topo da cabeça ou uma trança frouxa antes de dormir, para preservar os caracóis e reduzir o atrito contra a fronha, que os torna frisados e mais fáceis de partir. Repare no adjectivo: solta, frouxa. Não é o coque apertado que se vê nas fotografias.

Se o cabelo ainda estiver molhado, nenhuma das opções é boa

Este é o ponto que mais gente salta. O cabelo é mais frágil quando está molhado e parte-se, estica e quebra com mais facilidade. Prendê-lo molhado num elástico apertado, ou deitá-lo molhado e deixá-lo esfregar na almofada durante a noite, junta duas fragilidades. A recomendação prática é deixar secar ao ar antes de deitar. Se isso não for possível, prenda-o sem apertar e não o torça.

E se usa algo na cabeça para dormir? A AAD diz que, ao cobrir o cabelo, deve puxá-lo para trás de forma solta por baixo da cobertura, e que um lenço ou touca de seda ou cetim é mais suave para o cabelo do que outros materiais. Ou seja: cobrir pode ser uma boa ideia, desde que o que está por baixo não esteja a puxar.

Uma rotina que você pode ajustar esta semana

Não precisa de comprar nada para começar. As mudanças com apoio mais directo nas orientações que existem são estas, por ordem de importância:

  • Verifique a tensão antes da tensão ser problema. Prenda o cabelo e depois tente enfiar um dedo por baixo do elástico. Se não passa, está apertado demais. Isto aplica-se a qualquer formato: cauda, coque, trança.
  • Alterne. A AAD recomenda variar o estilo com frequência para o cabelo poder recuperar, e afrouxar os estilos para que não puxem. Uma noite apanhado, outra solto, outra com trança frouxa — a variação em si é a protecção.
  • Deixe secar ao ar. Se lava o cabelo à noite, dê-lhe tempo antes de se deitar. Se não der, não o aperte.
  • Considere a fronha. Trocar o algodão por seda ou cetim é a alteração mais fácil de testar e a que a Cleveland Clinic associa a menos quebra por atrito.
  • Se cobre a cabeça, cubra com seda ou cetim e deixe o cabelo solto por baixo.

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Nenhuma destas medidas promete nada. Reduzem a tracção e o atrito, que são as duas coisas que a evidência associa a dano. Não há garantia de resultado, e ninguém lhe pode dizer quantos fios vai poupar.

O que provavelmente não vai ajudar

Há uma indústria inteira à volta de almofadas, elásticos e sprays ditos milagrosos, e a maior parte das afirmações não tem por trás nada que as sustente. O que as fontes que existem destacam é aborrecido: menos tensão, menos atrito, menos repetição. Um elástico caro que aperta continua a apertar.

A página principal sobre relaxamento e sono deste espaço aborda esse tema com mais detalhe; aqui o assunto é o fio.

Onde os suplementos entram — e onde não entram

Se chegou aqui à procura de algo para o cabelo, vale a pena ser directo: as fontes que consultámos descrevem este problema como mecânico — puxão, atrito, repetição — e nenhuma fala de suplementos para o cabelo.

Dito isto, há uma sobreposição honesta. Se o motivo pelo qual você dorme com o cabelo apanhado é prático — não quer acordar com ele emaranhado — e ao mesmo tempo dorme mal, são dois assuntos separados que podem ser tratados em separado. A melatonina existe em goma, na forma das Gomas para Dormir Bem, com 1 mg de melatonina por dose de duas gomas. As Gomas para o Alívio do Stress combinam ashwagandha, L-teanina, GABA, vitamina D3 e vitamina B12, e são para adultos. Nenhuma destas gomas trata o cabelo, e não devem ser apresentadas como tal.

Vale a pena ler os avisos antes de decidir. Ambas contêm polióis e o consumo excessivo pode ter efeito laxativo; ambas podem causar sonolência, pelo que não deve conduzir nem utilizar máquinas depois de as tomar. As Gomas para o Alívio do Stress não são recomendadas a crianças, grávidas ou mulheres a amamentar, nem a pessoas com doenças da tiroide ou doenças autoimunes, e quem tem doença hepática, outras doenças ou toma medicamentos deve falar com um profissional de saúde antes. Não exceda a dose diária recomendada, e lembre-se de que um suplemento não substitui uma alimentação variada e equilibrada nem um modo de vida saudável.

Quando é que isto deixa de ser cosmético

Há uma linha clara. Cabelo frisado de manhã, um nó difícil de desfazer, uma marca do elástico que desaparece em minutos — tudo normal, tudo resolúvel com menos tensão. Outra coisa é dor no couro cabeludo ao prender, ardor, crostas, ou aquelas zonas levantadas que a AAD descreve. Nesse caso, o conselho é mudar o estilo imediatamente, não esperar para ver.

E se notar queda de cabelo — mais fios na almofada, uma faixa mais fina onde o cabelo costumava puxar — fale com um médico ou farmacêutico. A alopecia de tracção é reconhecida precisamente porque o puxão continuado a pode provocar; o que não sabemos, e não lhe vamos inventar, é quanto tempo de puxão é preciso para cada pessoa, nem se a queda reverte sempre. Isso varia. Um profissional vê o seu couro cabeludo, e nós não.

Quanto tempo antes de julgar que funcionou

O que sabemos é que a lógica é de repetição: se o puxão parou, a agressão parou. Faça a alteração, mantenha-a, e avalie com o tempo em vez de todas as manhãs ao espelho.

Se ao fim de algumas semanas notar mais queda em vez de menos, ou se aparecer dor, ardor ou alterações na pele do couro cabeludo, isso é motivo para procurar ajuda em vez de continuar a ajustar elásticos. O que você pode fazer esta noite é pequeno e concreto: verificar se o apanhado puxa, e se puxar, desfazê-lo.

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