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Como funciona a valeriana? O que a ciência sabe

A valeriana (Valeriana officinalis) é usada há séculos como auxiliar do sono e a investigação aponta para um mecanismo plausível: os seus compostos parecem interagir com o sistema GABAérgico, o principal sistema inibitório do cérebro.

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A valeriana (Valeriana officinalis) é usada há séculos como auxiliar do sono e a investigação aponta para um mecanismo plausível: os seus compostos parecem interagir com o sistema GABAérgico, o principal sistema inibitório do cérebro. O GABA é o neurotransmissor que trava a excitação neuronal, e é também o alvo de muitos medicamentos para dormir. Mas há uma diferença importante entre «ter um mecanismo plausível» e «funcionar de forma fiável» — e é aí que a evidência se torna mais interessante (e mais honesta).

Resumo direto: a valeriana pode ajudar a adormecer mais depressa e a melhorar a qualidade subjetiva do sono em casos ligeiros, mas os resultados dos ensaios são inconsistentes e o efeito, quando existe, é modesto. Não é um hipnótico e não substitui tratamento de insónia. Abaixo explicamos o que se sabe sobre o mecanismo, o que os estudos encontraram e o que isso significa para quem pensa experimentar.

O que acontece no cérebro quando toma valeriana?

O sistema GABAérgico funciona como o travão do cérebro. Quando o GABA se liga aos recetores GABA-A, os neurónios ficam menos excitáveis e a atividade cerebral abranda — é esse o estado que precede o sono. Uma revisão sistemática sobre os mecanismos de plantas usadas para dormir concluiu que a valeriana, tal como a passiflora, a melissa e a lavanda, parece exercer parte da sua atividade sedativa através da interação com recetores GABA 1.

Os compostos identificados como ativos — ácido valerénico e valepotriatos — ligam-se a esses recetores com afinidade muito menor do que os benzodiazepínicos. É uma ação suave, não um efeito sedativo potente. A mesma revisão descreve ainda que os extratos podem influenciar a disponibilidade de GABA de forma indireta, e não apenas por ligação direta aos recetores 1.

Um ponto que gera confusão frequente: o GABA que a valeriana modula é o que o cérebro produz, não o que se ingere. O GABA tomado por via oral tem dificuldade em atravessar a barreira hematoencefálica de forma significativa, o que significa que o efeito da valeriana não depende de «adicionar GABA» — depende de modular o sistema que já existe. Se quer perceber melhor esta distinção, temos um artigo dedicado a como funciona o GABA.

O que dizem os ensaios clínicos sobre a valeriana?

Aqui a resposta tem de ser matizada, porque a evidência é mista e vale a pena ver os números em contexto.

Uma meta-análise de 2006 analisou 16 ensaios aleatorizados e controlados por placebo, com um total de 1093 participantes; em 6 desses estudos que reportaram um resultado dicotómico de qualidade do sono (melhorou ou não), verificou-se um benefício estatisticamente significativo (risco relativo de melhoria de 1,8; intervalo de confiança de 95%: 1,2–2,9) — mas os próprios autores assinalaram evidência de viés de publicação e problemas metodológicos relevantes nos estudos incluídos 2.

Uma revisão sistemática e meta-análise mais recente, de 2020, reuniu 60 estudos com 6894 participantes e concluiu que os resultados inconsistentes entre estudos podem dever-se à qualidade variável dos extratos: os efeitos mais fiáveis tenderam a surgir com raiz/rizoma inteiro, e os benefícios podiam ser otimizados quando combinada com outras plantas 3. Nessa análise, não foram reportados eventos adversos graves em participantes entre os 7 e os 80 anos 3.

Em contrapartida, uma meta-análise de 2015 sobre plantas medicinais para insónia, que incluiu 14 ensaios aleatorizados com 1602 participantes com insónia, não encontrou diferença estatisticamente significativa entre qualquer planta — incluindo a valeriana — e placebo, nem entre qualquer planta e controlo ativo, em nenhuma das 13 medidas de eficácia clínica avaliadas 4. Nesse mesmo trabalho, foi reportado um maior número de eventos adversos por pessoa com valeriana do que com placebo 4.

Ou seja: há estudos que mostram benefício e outros que não. A leitura mais correta não é «funciona» nem «não funciona», mas «a evidência é insuficiente para uma recomendação firme, e o efeito provável é modesto».

Quanto tempo demora a fazer efeito?

Não há um número único e fiável para o tempo de latência do efeito da valeriana. O que a evidência permite dizer é que os ensaios variaram consideravelmente na duração do tratamento e nas preparações usadas 2, o que dificulta extrair uma regra geral. Na prática, a valeriana não é um comprimido para uma noite: se experimentar, faz sentido manter o uso de forma consistente durante algumas semanas antes de tirar conclusões. Se não notar diferença nesse período, aumentar a dose não é a resposta — pode aumentar o risco de efeitos adversos.

Valeriana e ansiedade: o que a evidência mostra

A valeriana é frequentemente associada à ansiedade, mas a evidência direta nesse campo é mais frágil do que a do sono. Uma meta-análise em rede de 2022, que comparou 12 plantas medicinais em 29 ensaios com adultos com ansiedade diagnosticada ou subclínica, não destacou a valeriana entre as opções com efeito significativo — os resultados mais robustos foram para outras plantas, como a Silexan (preparação de lavanda) e a kava 5. Isto não significa que a valeriana não tenha qualquer efeito ansiolítico, mas significa que não é a planta com melhor suporte para esse fim.

Se o seu objetivo principal é a ansiedade, vale a pena perceber o que a investigação diz sobre outros compostos. Temos um artigo sobre benefícios do GABA que aborda essa distinção.

Para quem a valeriana faz mais sentido — e para quem não

A valeriana é mais razoável para quem tem dificuldade em adormecer associada a agitação mental ligeira, e não para insónia crónica ou grave. Se acorda várias vezes durante a noite ou se a falta de sono está a afetar seriamente o seu dia, o caminho é procurar avaliação médica, não aumentar suplementos.

Há grupos em que a valeriana não é adequada. Grávidas, mulheres a amamentar e crianças devem evitá-la, e quem tem doença hepática deve falar com um profissional de saúde antes de considerar qualquer suplemento com valeriana. O mesmo se aplica a quem toma medicamentos sedativos, antidepressivos ou outros fármacos que atuam no sistema nervoso central — há interações reais a considerar, que detalhamos no artigo sobre valeriana e interações medicamentosas.

Se está grávida ou a amamentar, temos também informação específica em valeriana na gravidez.

Que dose de valeriana foi estudada?

Os ensaios clínicos usaram doses e preparações muito variadas — extratos secos, tinturas, raiz em pó — e essa variabilidade é uma das razões pelas quais os resultados são inconsistentes 2. Uma meta-análise de 2020 sublinhou precisamente que a qualidade variável dos extratos pode explicar os resultados contraditórios, com melhores resultados associados à raiz/rizoma inteiro 3.

Isto tem uma implicação prática: não existe uma «dose de valeriana» universal que se possa recomendar com confiança. Doses usadas em estudos não são instruções de toma. Se optar por um suplemento, siga as indicações do rótulo do fabricante e não exceda a dose diária recomendada.

Se procura um valor de referência prático, temos um artigo dedicado à dose diária recomendada e limite máximo de valeriana.

Valeriana em goma: o que muda?

Em termos de mecanismo, o formato não altera nada: a valeriana em goma atua da mesma forma que em cápsula ou chá. O que muda é a conveniência, o sabor e a dose fixa por goma. Para quem tem dificuldade em engolir comprimidos, as gomas são práticas; para quem quer ajustar a dose com precisão, uma cápsula ou tintura pode ser mais flexível.

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Não existem estudos que comparem diretamente gomas com comprimidos de valeriana, pelo que não é possível afirmar equivalência ou superioridade entre formatos. O que se sabe é que as gomas têm de ser mastigadas e digeridas, o que pode atrasar ligeiramente o início da absorção em comparação com uma tintura sublingual — mas, se tomar com antecedência suficiente antes de deitar, essa diferença tende a ser pouco relevante. Se esta dúvida é central para si, temos um artigo sobre goma ou comprimido que aprofunda os critérios de escolha.

Um aspeto prático das gomas: muitas contêm polióis ou açúcares. Se tem sensibilidade gastrointestinal ou restrições alimentares, verifique o rótulo. E lembre-se de que a dose é fixa por goma — não pode ajustá-la facilmente.

O que o rótulo de um produto TuttiBear mostra (e o que não mostra)

É importante ser claro: as Gomas para o Alívio do Stress da TuttiBear não contêm valeriana. A sua fórmula inclui, por porção de 2 gomas, 300 mg de extrato de ashwagandha, 100 mg de L-teanina, 100 mg de GABA, 25 µg de vitamina D3 (500% VRN) e 500 µg de vitamina B12 (20 000% VRN). O modo de usar indicado é mastigar 2 gomas por dia, preferencialmente após uma refeição, e o rótulo adverte que pode causar sonolência — se ocorrer, não deve conduzir nem utilizar máquinas — e que não é recomendado a crianças, grávidas ou mulheres a amamentar, nem a pessoas com doenças da tiroide ou doenças autoimunes.

Se procura especificamente valeriana, pode explorar a nossa gama de gomas de valeriana ou consultar a página do ingrediente valeriana para ver as opções disponíveis.

Onde as promessas populares exageram

Há várias ideias que circulam sobre a valeriana e que a evidência não sustenta.

  • «É um sonífero natural potente.» Não é. A evidência disponível é insuficiente para apoiar o uso de plantas medicinais, incluindo a valeriana, no tratamento da insónia 4.
  • «Funciona para toda a gente.» Não. Uma meta-análise de 2015 não encontrou diferença face ao placebo nem face a controlo ativo em nenhuma das 13 medidas avaliadas em pessoas com insónia 4.
  • «É completamente inofensiva porque é natural.» Não é sinónimo de inócuo. Nessa mesma meta-análise, foi reportado um maior número de eventos adversos por pessoa com valeriana do que com placebo 4.
  • «Mais dose é melhor.» Não há evidência que suporte essa ideia, e doses mais altas aumentam o risco de efeitos adversos.

Se quer aprofundar as questões de segurança, temos um artigo dedicado a valeriana: faz mal?.

Como integrar a valeriana numa rotina de sono

A valeriana não substitui uma boa higiene do sono. Se a toma ocasionalmente, com o telemóvel na mão e horários irregulares, é pouco provável que note diferença. O que faz sentido é usá-la como parte de uma rotina consistente: à mesma hora, num ambiente calmo e escuro, com expectativas realistas.

Quanto ao horário, a valeriana deve ser tomada cerca de 30 a 60 minutos antes de deitar, porque o efeito não é imediato. Se escolher gomas, lembre-se de que a dose é fixa por goma e que muitas contêm polióis ou açúcares — verifique o rótulo se tiver restrições alimentares ou sensibilidade gastrointestinal.

Se está a considerar experimentar, aqui ficam os pontos essenciais:

  1. Verifique se pertence a algum grupo em que a valeriana não é adequada (gravidez, amamentação, crianças, doença hepática, medicação sedativa).
  2. Escolha um produto com rótulo claro e siga as indicações do fabricante.
  3. Dê-lhe algumas semanas de uso consistente antes de concluir que não funciona.
  4. Se não notar diferença, não aumente a dose — reavalie.
  5. Se o problema de sono for significativo ou persistente, procure ajuda profissional.

Para perceber melhor quando tomar, temos um artigo sobre quando tomar valeriana, e para questões de dose, dose diária recomendada e limite máximo.

O veredito honesto

A valeriana tem um mecanismo plausível — interação com o sistema GABAérgico 1 — e alguma evidência de benefício para o sono, mas essa evidência é inconsistente e de qualidade variável 2 4 3. Não é um tratamento para insónia, não é um ansiolítico e não é uma solução mágica. Pode ser uma ajuda modesta para quem tem dificuldade em adormecer por agitação ligeira, desde que usada com expectativas realistas e sem substituir cuidados de saúde adequados.

Se tem dúvidas sobre se a valeriana é adequada para a sua situação, fale com um profissional de saúde — especialmente se toma medicação, tem alguma condição de saúde ou está grávida ou a amamentar.

Perguntas frequentes

A valeriana funciona mesmo para dormir?

A evidência é mista. Alguns estudos mostram melhoria da qualidade do sono, mas uma meta-análise de 2015 com 1602 participantes com insónia não encontrou diferença face ao placebo nem face a controlo ativo, e os autores concluíram que a evidência é insuficiente para apoiar o uso de plantas medicinais na insónia. O efeito, quando existe, tende a ser modesto e inconsistente.

Quanto tempo demora a valeriana a fazer efeito?

Não há um número fiável. Os ensaios variaram muito na duração do tratamento, e a valeriana não é um comprimido para uma noite. Se experimentar, faz sentido manter o uso consistente durante algumas semanas antes de concluir que não funciona.

A valeriana pode ser tomada com outros medicamentos?

Pode haver interações, sobretudo com medicamentos que atuam no sistema nervoso central, como sedativos e antidepressivos. Se toma medicação, fale com o seu médico antes de usar valeriana.

A valeriana em goma é tão eficaz como em cápsula?

Não existem estudos que comparem diretamente os dois formatos, por isso não é possível afirmar equivalência. O mecanismo é o mesmo; o que muda é a conveniência, o sabor e a dose fixa por goma.

Quem não deve tomar valeriana?

Grávidas, mulheres a amamentar, crianças e pessoas com doença hepática devem evitá-la. Quem toma medicamentos sedativos ou antidepressivos deve falar com um profissional de saúde antes.

A valeriana ajuda com ansiedade?

A evidência direta para ansiedade é mais frágil do que para o sono. Uma meta-análise em rede de 2022 não destacou a valeriana entre as plantas com efeito significativo nesse contexto.

Fontes e referências

Resumo informativo de investigação publicada. Os resultados referem-se às formas e às pessoas estudadas; não são promessas sobre o efeito de nenhum produto.

  1. Bruni O, Ferini-Strambi L, Giacomoni E, et al. Herbal Remedies and Their Possible Effect on the GABAergic System and Sleep. Nutrients. 2021;13(2). pubmed.ncbi.nlm.nih.gov · PMID 33561990 · DOI 10.3390/nu13020530
  2. Bent S, Padula A, Moore D, et al. Valerian for sleep: a systematic review and meta-analysis. Am J Med. 2006;119(12):1005-12. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov · PMID 17145239 · DOI 10.1016/j.amjmed.2006.02.026
  3. Shinjyo N, Waddell G, Green J. Valerian Root in Treating Sleep Problems and Associated Disorders-A Systematic Review and Meta-Analysis. J Evid Based Integr Med. 2020;25:2515690X20967323. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov · PMID 33086877 · DOI 10.1177/2515690X20967323
  4. Leach MJ, Page AT. Herbal medicine for insomnia: A systematic review and meta-analysis. Sleep Med Rev. 2015;24:1-12. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov · PMID 25644982 · DOI 10.1016/j.smrv.2014.12.003
  5. Zhang W, Yan Y, Wu Y, et al. Medicinal herbs for the treatment of anxiety: A systematic review and network meta-analysis. Pharmacol Res. 2022;179:106204. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov · PMID 35378276 · DOI 10.1016/j.phrs.2022.106204

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