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Cafeína e teína: são a mesma substância?

Sim, cafeína e teína são a mesma substância.

  • 6 min de leitura

Sim, cafeína e teína são a mesma substância. A Academia de Agricultura de França considera os nomes teína, guaranina e mateína desatualizados, precisamente porque designam o mesmo composto: a cafeína, um alcaloide da família das metilxantinas. A recomendação é manter apenas o nome cafeína, para evitar confusão. Portanto, quando lê "teína" numa embalagem de chá, está a ler "cafeína" com outro nome.

A confusão vem dos nomes antigos. O nome antigo ficou, mas a química não mudou. Se alguém lhe diz que o chá "não tem cafeína, tem teína", está a usar um nome desatualizado para a mesma substância.

Porque é que o chá parece não dar o mesmo estímulo que o café?

Porque a bebida é diferente, não a molécula. Uma chávena de chá preto de 220 ml contém, segundo a EFSA, cerca de 50 mg de cafeína. Uma chávena de café filtrado de 200 ml contém cerca de 90 mg. Quase o dobro. A quantidade e o tamanho da porção variam, mas a ordem de grandeza explica muito da sensação.

Há ainda uma variação enorme dentro do próprio chá. Uma análise de 20 produtos comerciais encontrou concentrações de 14 a 61 mg por porção em chás branco, verde e preto, sem tendência clara por variedade. O tempo de infusão afetou a concentração de cafeína. Os chás descafeinados ficaram abaixo de 12 mg por porção, e nos chás de ervas não foi detetada cafeína. Ou seja: o mesmo chá pode dar-lhe uma dose bastante diferente consoante o prepara.

A diferença que sente tem a ver com a dose e com o resto da bebida, não com uma propriedade especial da molécula quando vem de uma folha de chá.

O que faz a cafeína no corpo, em linguagem simples

A EFSA descreve a cafeína como um composto que estimula o sistema nervoso central. Em doses moderadas, aumenta o estado de alerta e reduz a sonolência. É isto, e não mais do que isto, que a evidência estabelecida permite dizer. Não é uma fonte de energia: é um estimulante do sistema nervoso.

Essa distinção importa. Se está exausto porque dormiu mal durante uma semana, a cafeína não resolve a dívida de sono. E, segundo a EFSA, doses únicas de 100 mg podem afetar o sono de alguns adultos, sobretudo se tomadas perto da hora de deitar. Um café ao fim da tarde pode estar a sabotar a noite que devia resolver o problema.

Quanta cafeína é razoável num dia normal

A EFSA concluiu que consumos até 400 mg por dia, repartidos ao longo do dia, não levantam preocupações de segurança para adultos saudáveis. A exceção são as grávidas. Para grávidas e lactantes, a EFSA concluiu que consumos até 200 mg por dia não levantam preocupações de segurança para o feto; fale com o seu médico.

Para pôr 400 mg em perspetiva: são cerca de oito chávenas de chá preto ou quatro cafés filtrados, aproximadamente, segundo os valores médios acima. O problema é que raramente bebemos só uma coisa. Refrigerantes, bebidas energéticas, chocolate e suplementos com guaraná também contam. A cafeína é a mesma, venha de onde vier.

Se está grávida, a amamentar, ou se tem uma condição de saúde ou toma medicação, o cálculo deixa de ser uma curiosidade e passa a ser uma conversa com o seu médico ou farmacêutico.

E a L-teanina? Essa é outra substância

A L-teanina é um aminoácido, não é cafeína nem tem relação química com ela. Sabemos que são substâncias diferentes; o resto não está estabelecido.

Vale a pena saber isto porque muitos rótulos misturam as duas e sugerem uma sinergia que a ciência ainda não confirmou. Se procura um efeito específico, desconfie de promessas de resultados certos.

Onde entra um suplemento — e onde não entra

Um suplemento não substitui hábitos. Se dorme mal, se bebe café a mais ao fim do dia ou se espera que uma goma compense noites em claro, nenhum produto resolve isso. Dito isto, há situações em que faz sentido saber o que está a tomar.

As Gomas de Energia com Guaraná da TuttiBear contêm, por dose de duas gomas, 200 mg de extrato de guaraná, dos quais 44 mg de cafeína, além de 200 mg de L-teanina, 100 mg de L-tirosina, vitamina B6, B12 e C. A dose diária recomendada é de duas gomas. A embalagem avisa que contém cafeína e que não é recomendado para crianças, grávidas ou lactantes.

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Repare no número: 44 mg é menos do que uma chávena de chá preto. Se já bebe três cafés por dia, este suplemento não vai mudar radicalmente o seu consumo total — e é isso que deve contar. O guaraná é apenas outra planta que contém cafeína, como a EFSA refere ao listar as fontes naturais do composto. Não é uma cafeína "melhor".

Há também as Gomas de Metabolismo Ativo, com extrato de chá verde e semente de chá verde, entre outros ingredientes. O chá verde contém cafeína, e a embalagem alerta para não consumir em conjunto com outros produtos que contenham chá verde no mesmo dia. Se está a fazer contas à cafeína, este é um detalhe que não deve ignorar.

Nenhum destes produtos trata, previne ou cura doença alguma. São suplementos alimentares. E não há, na evidência disponível, uma razão para os preferir a uma chávena de chá bem preparada se o objetivo é apenas estar desperto.

Os erros que valem a pena evitar

O primeiro é confiar no rótulo "sem cafeína" sem ler o resto. Os chás descafeinados que foram analisados tinham menos de 12 mg por porção — menos, mas não zero. Se é muito sensível, isso pode ainda notar-se.

O segundo é esquecer as fontes escondidas. Chocolate, refrigerantes de cola, bebidas energéticas e suplementos com guaraná ou chá verde somam-se ao café e ao chá. A conta dos 400 mg é diária e inclui tudo.

O terceiro erro é o inverso: preocupar-se demasiado com o chá e ignorar o café. Uma chávena de chá preto tem cerca de metade da cafeína de um café filtrado. Se está a tentar reduzir, o café é o primeiro lugar onde olhar.

Há ainda um erro de expectativa: achar que a teína, por ter outro nome, não conta para o sono. Conta. É a mesma molécula, com o mesmo efeito no sistema nervoso central.

Quando é que isto deixa de ser uma curiosidade e passa a ser assunto médico

Se está grávida ou a amamentar, o limite desce para 200 mg por dia e a conversa deve ser tida com um profissional. Se toma medicação, sobretudo para o coração, para a ansiedade ou para o sono, pergunte ao farmacêutico antes de aumentar o consumo de cafeína. Se sente palpitações, tremores ou insónia persistente depois de beber chá ou café, isso é um sinal para falar com alguém — não para mudar de marca.

E se a queixa de fundo é cansaço que não passa, a cafeína não é a resposta. Aumentar a dose para compensar é o caminho errado. O cansaço persistente tem causas que um suplemento não resolve.

O que fazer a seguir

Comece por contar o que bebe num dia típico, incluindo chá, café, refrigerantes e suplementos. Depois, se quiser reduzir a cafeína, troque o café pelo chá — a diferença de dose é real e significativa. Se quiser manter o hábito do chá, controle o tempo de infusão: afeta a quantidade de cafeína que passa para a chávena. E se está a pensar comprar um suplemento com cafeína ou guaraná, verifique o rótulo e some essa cafeína à que já consome.

A distinção entre cafeína e teína não é uma questão de química: é uma questão de vocabulário. Uma vez resolvida, o que resta é a pergunta prática — quanta toma, quando, e se isso está a ajudar ou apenas a esconder o problema.

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