Para a maioria dos adultos saudáveis, a ashwagandha não faz mal quando é tomada nas doses indicadas no rótulo e durante períodos limitados. As revisões de ensaios clínicos descrevem sobretudo efeitos ligeiros a moderados, como desconforto gastrointestinal, e nenhum sinal de toxicidade relevante nas doses estudadas 1. Isto não significa que seja inofensiva para toda a gente: há grupos que devem evitá-la, medicamentos com que pode interagir e sinais de alarme que obrigam a parar.
A pergunta certa não é «faz mal?», mas «faz mal a quem, em que dose e durante quanto tempo?». É isso que este artigo responde, com o que os estudos mostram — e com o que ainda não se sabe.
O que dizem os ensaios clínicos sobre segurança
Um ensaio aleatorizado, duplo-cego e controlado por placebo avaliou especificamente a segurança do extrato de raiz de ashwagandha em 80 adultos saudáveis (40 homens e 40 mulheres), que tomaram 300 mg duas vezes por dia durante 8 semanas. Os autores analisaram parâmetros hematológicos, bioquímica sérica com avaliação de hepatotoxicidade e função tiroideia, além de eventos adversos e sinais vitais 2.
Uma meta-análise de 9 ensaios aleatorizados, com 558 participantes, avaliou os efeitos da ashwagandha no stress e na ansiedade e registou eventos adversos ligeiros a moderados em quatro dos estudos incluídos 1. Outra meta-análise, com 5 ensaios e 254 participantes, focada em ansiedade e insónia, também não encontrou problemas graves de segurança nas durações estudadas 3.
Uma revisão narrativa que reuniu investigação de 1994 até ao presente notou que, apesar do consumo diário por milhões de pessoas na Índia, China e partes do Ocidente, existem poucos relatos de casos de efeitos secundários diretamente atribuídos à ashwagandha — o que sugere que a administração de preparações de ashwagandha pode ser segura 4.
Que efeitos secundários podem aparecer
Os efeitos mais frequentemente descritos nos ensaios são gastrointestinais e transitórios. Numa revisão crítica de evidência pré-clínica e clínica sobre efeitos adversos, os autores agrupam os problemas relatados em desconforto gastrointestinal, hipersensibilidade imunitária, toxicidade hepática e alterações endócrinas — sobretudo associados a uso prolongado ou excessivo 5.
- Desconforto gastrointestinal — náuseas, diarreia ou mal-estar no estômago, mais prováveis se tomar em jejum.
- Sonolência — algumas pessoas sentem-se mais sonolentas; outras relatam o oposto.
- Dor de cabeça ligeira — pouco frequente e geralmente passageira.
- Alterações endócrinas — a revisão de efeitos adversos associa a modulação endócrina da ashwagandha a casos de tireotoxicose e supressão adrenal, sobretudo com uso prolongado ou excessivo 5.
Se sentir algum destes sintomas, experimente tomar com uma refeição. Se persistirem, reduza ou interrompa durante alguns dias e observe.
Dose: onde está a fronteira entre o estudado e o excessivo
Não existe uma dose máxima oficial estabelecida para a ashwagandha, o que dificulta uma resposta simples. O que se sabe é que os ensaios clínicos usam, tipicamente, entre 300 mg e 600 mg por dia de extrato de raiz, durante períodos que vão de 8 a 24 semanas.
Alguns exemplos concretos: num ensaio aleatorizado em adultos com stress, 150 mg e 300 mg por dia de um extrato de libertação sustentada reduziram os scores da Escala de Stress Percebido ao longo de 60 dias 6. Num ensaio de 24 semanas em 100 adultos, 300 mg duas vezes por dia foram avaliados quanto a stress e peso corporal 7. Num estudo de 8 semanas em 50 adultos com défice cognitivo ligeiro, usaram-se 300 mg duas vezes por dia 8.
As Gomas para o Alívio do Stress fornecem 300 mg de extrato de ashwagandha por porção de 2 gomas, além de 100 mg de L-teanina, 100 mg de GABA, 25 µg de vitamina D3 e 500 µg de vitamina B12. Ou seja, a dose por porção está dentro da faixa mais estudada, mas lembre-se: doses usadas em estudos não são instruções de toma. Siga sempre o rótulo.
Com plantas adaptogénicas, o uso prolongado ou excessivo está associado a um aumento da probabilidade de efeitos adversos 5.
Quem deve evitar ou falar primeiro com um profissional
Há grupos em que a prudência deve prevalecer. A revisão de efeitos adversos identifica populações com risco aumentado de reações e interações, incluindo pessoas com condições tiroideas, hepáticas ou autoimunes 5.
- Grávidas e mulheres a amamentar — não há dados de segurança suficientes; a recomendação conservadora é evitar. Fale com o seu médico.
- Pessoas com doenças da tiroide — num ensaio aleatorizado, duplo-cego e controlado por placebo em 50 pessoas com hipotiroidismo subclínico (46 completaram), 600 mg diários de extrato de raiz durante 8 semanas alteraram significativamente os níveis de TSH, T3 e T4 em comparação com placebo 9. Isto mostra atividade real sobre a tiroide — quem toma medicação para a tiroide deve falar com o médico antes de usar.
- Pessoas com doenças autoimunes — a ashwagandha tem atividade imunomoduladora descrita em revisões farmacológicas 10; em condições autoimunes, é prudente procurar orientação profissional.
- Pessoas com doença hepática — dado o risco raro de toxicidade hepática descrito na literatura 5, é prudente evitar ou usar apenas com acompanhamento.
- Crianças e adolescentes — não há estudos de segurança suficientes nesta faixa etária. Não dê ashwagandha a crianças.
- Antes de cirurgia — fale com o seu médico sobre suspender a suplementação antes de uma intervenção programada.
Se está a pensar em fazer uma pausa antes de uma cirurgia programada, a recomendação prudente é suspender a ashwagandha pelo menos duas semanas antes da intervenção, porque pode interferir com a anestesia e com a pressão arterial. Confirme sempre o prazo com o seu médico ou anestesista.
Pertencer a um destes grupos não significa necessariamente que não possa tomar, mas significa que não deve começar sem uma conversa com um médico ou farmacêutico.
Interações com medicamentos: o que a evidência sugere
A revisão crítica de efeitos adversos sublinha a necessidade de identificar interações com fármacos prescritos para condições específicas 5. As áreas de maior atenção incluem:
- Medicação para a tiroide — a ashwagandha pode alterar os níveis de hormonas tiroideas, como mostrou o ensaio em hipotiroidismo subclínico 9.
- Medicação para a diabetes — a planta tem atividade anti-diabética descrita em revisões farmacológicas 10; combinada com antidiabéticos, é prudente vigilância médica.
- Sedativos e ansiolíticos — o efeito sobre o sistema nervoso central pode ser aditivo.
- Imunossupressores — a atividade imunomoduladora descrita 10 levanta a possibilidade teórica de interação, exigindo aconselhamento profissional.
Toma medicação regular para uma condição crónica? Não comece ashwagandha sem falar com o seu médico. É uma precaução simples que evita problemas sérios.
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Sinais de alarme: quando parar e procurar ajuda
A maioria dos efeitos é ligeira, mas há sinais que não deve ignorar. A revisão de efeitos adversos descreve casos de toxicidade hepática e de hipersensibilidade imunitária associados à ashwagandha 5. Pare de tomar e procure um profissional de saúde se notar:
- Icterícia — pele ou olhos amarelados, urina escura, fezes claras.
- Palpitações fortes ou batimento irregular.
- Tonturas ou desmaios por queda de pressão.
- Reação alérgica — erupção cutânea, comichão, inchaço da face ou dificuldade em respirar.
- Vómitos persistentes ou diarreia intensa.
Estes sinais são raros, mas não impossíveis. Se aparecerem, não espere para ver.
Ashwagandha em gomas: o que muda na prática
O formato não altera a segurança intrínseca da planta — desde que a dose seja equivalente. O que muda são aspetos práticos que deve considerar.
As gomas contêm adoçantes e agentes de textura. As Gomas para o Alívio do Stress, por exemplo, contêm maltitol (um polióis) e pectina, e o rótulo avisa que o consumo excessivo pode ter efeito laxativo. Se controla o consumo de açúcares ou tem sensibilidade a polióis, verifique o rótulo.
Outro ponto: gomas são fáceis de confundir com doces, sobretudo por crianças. Mantenha-as fora do alcance dos mais novos. O rótulo destas gomas indica explicitamente que não são recomendadas a crianças, grávidas ou mulheres a amamentar, nem a pessoas com doenças da tiroide ou doenças autoimunes. Em caso de doença hepática, outras doenças ou toma de medicamentos, deve consultar um profissional de saúde antes de utilizar. Pode causar sonolência; se ocorrer, não conduza nem utilize máquinas.
Se uma criança ingerir várias gomas por engano, não espere para ver: contacte de imediato o seu médico, o farmacêutico ou o centro de informação antivenenos do seu país.
Se quer perceber melhor as diferenças entre formatos, veja a comparação entre ashwagandha em goma ou comprimido.
O que ainda não se sabe
É importante ser honesto sobre as lacunas. Uma revisão sistemática de 9 estudos sobre cortisol em pessoas com stress notou que nenhum dos estudos avaliou o impacto da redução do cortisol na função adrenal nem os efeitos a longo prazo 11. A maioria dos ensaios dura semanas, não anos. Não sabemos se o uso contínuo durante anos tem efeitos cumulativos, nem como a ashwagandha interage com todos os medicamentos possíveis — apenas com os que foram estudados.
A revisão de efeitos adversos sublinha precisamente a necessidade de padronizar regimes de dose, realizar ensaios clínicos rigorosos e reforçar a farmacovigilância 5. Isto não significa que não deva tomar: significa que deve tomar com precaução, respeitar as doses e estar atento ao seu corpo.
Como decidir com bom senso
Está a considerar tomar ashwagandha? Comece por falar com o seu médico ou farmacêutico, sobretudo se tem alguma condição de saúde ou toma medicação. Se não pertence a nenhum grupo de risco e decide avançar, siga a dose do rótulo e não a aumente por iniciativa própria.
Já toma e está a correr bem? Continue a seguir as indicações. Teve efeitos ligeiros? Experimente tomar com comida. Teve efeitos mais sérios? Pare e procure aconselhamento.
A ashwagandha tem evidência para redução de stress e melhoria de parâmetros de sono em algumas populações, mas não é uma solução mágica. Para aprofundar o que a ciência mostra e como enquadrar a suplementação, veja o guia sobre benefícios da ashwagandha, a informação sobre dose diária e o artigo sobre quando tomar. Se procura opções de relaxamento, pode explorar a coleção de Sono e Relaxamento.
Perguntas frequentes
Ashwagandha faz mal ao fígado?
Nas doses estudadas e em períodos limitados, os ensaios clínicos não mostram sinais relevantes de toxicidade hepática. No entanto, revisões de efeitos adversos descrevem casos raros de toxicidade hepática associados sobretudo a uso prolongado ou excessivo. Se tem doença hepática ou nota sintomas como pele amarelada, pare e procure um médico.
Posso tomar ashwagandha todos os dias?
Os ensaios clínicos avaliaram o uso diário durante períodos que vão de 8 a 24 semanas, com doses entre 150 mg e 600 mg por dia. Não há dados de segurança a longo prazo além desses períodos. Se pretende usar de forma contínua, fale com um profissional de saúde para avaliar o seu caso.
Ashwagandha interfere com a medicação da tiroide?
Sim, pode. Num ensaio aleatorizado em pessoas com hipotiroidismo subclínico, 600 mg diários durante 8 semanas alteraram significativamente os níveis de TSH, T3 e T4. Se toma medicação para a tiroide, não comece ashwagandha sem falar com o seu médico.
Quem não deve tomar ashwagandha?
Grávidas, mulheres a amamentar e crianças não devem tomar, por falta de dados de segurança. Pessoas com doenças da tiroide, doenças autoimunes ou doença hepática devem falar com um profissional de saúde antes de usar. O mesmo se aplica a quem toma medicação regular.
Ashwagandha em gomas é tão segura como em cápsulas?
O formato não altera a segurança da planta desde que a dose seja equivalente. As gomas têm aspetos práticos a considerar: contêm adoçantes como polióis, que em excesso podem ter efeito laxativo, e são fáceis de confundir com doces por crianças, pelo que devem ficar fora do seu alcance.
Que efeitos secundários são mais comuns?
Os mais frequentes são gastrointestinais, como náuseas ou desconforto no estômago, além de sonolência e dor de cabeça ligeira. Numa meta-análise de 9 ensaios, quatro reportaram eventos adversos ligeiros a moderados. Tomar com uma refeição costuma reduzir o desconforto.
Fontes e referências
Resumo informativo de investigação publicada. Os resultados referem-se às formas e às pessoas estudadas; não são promessas sobre o efeito de nenhum produto.
- Arumugam V, Vijayakumar V, Balakrishnan A, et al. Effects of Ashwagandha (Withania Somnifera) on stress and anxiety: A systematic review and meta-analysis. Explore (NY). 2024;20(6):103062. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov · PMID 39348746 · DOI 10.1016/j.explore.2024.103062
- Verma N, Gupta SK, Tiwari S, et al. Safety of Ashwagandha Root Extract: A Randomized, Placebo-Controlled, study in Healthy Volunteers. Complement Ther Med. 2021;57:102642. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov · PMID 33338583 · DOI 10.1016/j.ctim.2020.102642
- Fatima K, Malik J, Muskan F, et al. Safety and efficacy of Withania somnifera for anxiety and insomnia: Systematic review and meta-analysis. Hum Psychopharmacol. 2024;39(6):e2911. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov · PMID 39083548 · DOI 10.1002/hup.2911
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- Thanawala S, Shah R, Alluri KV, et al. Efficacy and safety of Ashwagandha root extract sustained-release (AshwaSR) capsules in healthy adult, stressed subjects: A randomized, double-blind, placebo-controlled, parallel-group, 3-arm clinical trial. Medicine (Baltimore). 2026;105(11):e47990. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov · PMID 41824889 · DOI 10.1097/MD.0000000000047990
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- Sharma AK, Basu I, Singh S. Efficacy and Safety of Ashwagandha Root Extract in Subclinical Hypothyroid Patients: A Double-Blind, Randomized Placebo-Controlled Trial. J Altern Complement Med. 2018;24(3):243-248. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov · PMID 28829155 · DOI 10.1089/acm.2017.0183
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Este artigo é informativo e não substitui aconselhamento médico. Fale com o seu médico ou farmacêutico antes de tomar um suplemento, sobretudo se toma medicação ou tem alguma condição de saúde.
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